sábado, 25 de junho de 2011

Buscando a Felicidade Genuína

Nestes tempos acelerados, a busca da felicidade virou mais um item na lista dos afazeres...
Pequenos momentos de autoindulgência são facilmente confundidos com a felicidade genuína:

"Precisamos" daquele momento na frente da TV;
"Precisamos" daquela balada com os amigos;
"Precisamos" daquela comida deliciosa;
"Precisamos" daquelas férias maravilhosas;
E por aí vai...

Mas o que é afinal este estado que tanto buscamos ?
Em primeiro lugar, é importante reconhecer que momentos agradáveis não são felicidade. Alegria é um sentimento agradável, mas de rápida duração; e podemos nos viciar nestes momentos alegres, acreditando que, se temos muitos momentos alegres, somos felizes.
Segundo o monge budista Matthieu Ricard, uma autoridade internacional sobre o tema, a felicidade genuína é a prática do bem-estar.

"... é o desapego momentâneo de conflitos interiores. A pessoa fica em harmonia com o mundo e consigo mesma."

Matthieu Ricard é um francês que, após uma carreira acadêmica de sucesso, resolveu largar tudo e se dedicar à vida monástica no Nepal. Ele foi considerado pela mídia popular o "homem mais feliz do mundo" e escreveu diversos livros.
Em seu livro Felicidade, ele nos alerta que precisamos perceber que a felicidade é acima de tudo, o amor pela vida e o prazer de viver. Para reencontar este prazer, precisamos rever nossos valores, nossas crenças e nossa visão de mundo.
Quando condicionamos nosso bem-estar e nossa felicidade a eventos externos, estamos na verdade nos tornando extremamente frágeis. Se para estar bem precisamos dormir X horas, chegar no trabalho e encontrar tudo da maneira Y, conseguir ter um tempo pra se divertir à noite, e assim por diante, fica muito fácil perdemos nossa felicidade.
Mas ao desenvolvermos um desapego de condições externas, nos tornamos livres... e felizes.
Como ??? O primeiro passo é o autoconhecimento. Se você não se conhece, como vai saber o que realmente é importante pra você ?
Por isso, uma revisão nos valores e crenças pessoais é um começo fundamental.
Perceber por onde vagueia nossa mente também é de extrema importânica. Quando estamos preocupados com acontecimentos passados, problemas do cotidiano, dúvidas sobre o futuro, não estamos felizes. Existe uma diferença sutil entre preocupar-se e buscar soluções através da reflexão.
Lembrar do passado pode ser bom, não só por nos trazer lembranças de momentos felizes, mas também por nos permitir refletir sobre experiências desagradáveis e aprender com elas.
E pensar no futuro também é importante: estabelecer objetivos, descobrir qual caminho queremos seguir, planejar estratégias, sonhar...
E é claro que pensar em soluções para os problemas cotidianos é vital.
Mas quando exageramos nestes pensamentos, inflando-os com nossos medos, dúvidas e fantasias, deixamos de encontrar soluções e passamos a criar novos problemas.
Desenvolver uma mente tranquila é outro ingrediente indispensável para obtermos a felicidade genuína.

"A atitude contemplativa [...] consiste em elevar-nos por alguns instantes acima do redemoinho de pensamentos e olhar com calma para dentro, para o fundo de nós mesmos, como se olhássemos para uma paisagem interior, no intuito de descobrir aquilo que encarna nossas aspirações mais profundas."

Assim, o autoconhecimento, a reflexão e a pausa meditativa são as ferramentas que dispomos para alcançar a felicidade e uma vida de bem-estar. E o melhor de tudo, é que estas atividades dependem apenas de nós !

Referências:

Ricard, Matthieu. (2007). Felicidade, a prática do bem-estar. Ed. Palas Atenas.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Curso de Meditação

Sábado, dia 16 de Julho
Horário: 15hs às 18hs.

Este curso tem como objetivo informar um pouco da base filosófica por trás da meditação, trazendo um contexto não religioso para a prática.
Serão abordados também as recentes pesquisas científicas em diversas áreas da saúde que estão utilizando a meditação como forma auxiliar de tratamento para diversos problemas como estresse, ansiedade, hipertensão, dores em geral e outros.
Neste curso introdutório, será abordada a técnica da Atenção Plena na Respiração.
Inclui um CD para auxíliar a prática em casa.

É necessário inscrição prévia.
Tire suas dúvidas e faça sua inscrição aqui.

Facilitadora: Katya Sibele Stübing
Valor: R$ 120,00.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Sobre a Meditação

A meditação é uma técnica milenar, que tem suas raízes nas filosofias orientais, como o Budismo, o Taoísmo e o Hinduísmo; mas também pode ser encontrada nas formas místicas do Cristianismo e do Judaísmo.
O uso da meditação está cada vez mais popular e mais secularizado, isto é, separado da prática religiosa. Dentro do meio acadêmico e em diversas áreas da saúde, muitas pesquisas mostram os diversos benefícios da meditação, sem importar tanto qual técnica se utiliza.

A meditação pode ser compreendida como uma técnica de treinamento mental com o objetivo de diminuir ou cessar o fluxo caótico de pensamentos e aumentar a capacidade de concentração, ajudando o praticante a encontrar um estado de bem estar e autoregulação, com significante aumento da espiritualidade e dos aspectos positivos tanto psicológicos como os de saúde.

A principal técnica utilizada nos meios acadêmicos e de saúde  tem sido a Mindfulness, que pode ser traduzida como Atenção Plena.
Utilizando um objeto neutro para focar a mente - como a respiração, por exemplo - somos convidados a manter o foco da atenção pelo maior tempo possível, sem distração. No início, parece uma tarefa impossível, mas com o tempo e a prática, percebe-se que realmente começamos a ter um controle maior sobre nossos pensamentos.

Esta capacidade de auto-observação traz inúmeros benefícios; mas é importante observar que manter a mente focada por tempo indeterminado não é o objetivo final da meditação. Segundo a filosofia budista, este é apenas o requisito inicial para que possamos realmente nos aventurar na natureza da mente e compreendê-la... E compreender nossa mente é, em última instância, conhecer a nós mesmos.
Por isso, a meditação se torna rica quando utilizada na busca de contato com a dimensão espiritual e transcendente do indivíduo, com o objetivo final de nos ajudar a alcançar o estado máximo do potencial humano, conhecido na literatura oriental como “iluminação” e na ocidental como “autorealização”.

Alguns benefícios:
  • Melhora a capacidade de concentração, autocontrole e auto-observação; 
  • Diminui sentimentos ansiosos, agressivos e depressivos; 
  • Promove sentimentos positivos: compreensão, ética, paciência, sentido para vida, desapego, etc.
  • Promove alterações positivas na personalidade; 
  • Diminui a percepção de dores em geral; 
  • Ajuda a controlar taxas hormonais; 
  • Promove melhora no sistema imunológico;

Mas fique atento, pois a meditação não é...
  • Simplesmente esvaziar a mente; 
  • Uma prática para obtenção de poderes sobrenaturais; 
  • Apenas um hábito; 
  • Apenas um relaxamento; 
  • Algo para se envaidecer;

No processo meditativo – que é o processo de conhecermos a natureza da mente - devemos seguir um caminho, como em qualquer outra atividade que desejemos nos tornar hábeis. É preciso dedicação...



Referências:

FORTNEY, L.; TAYLOR, M. (2010). Meditation in Medical Practice: a Review of the Evidence and Practice. Primary Care Clin Office Pract, No 37: 81-89

HANKEY, A. (2006). Studies of Advanced Stages of Meditation in the Tibetan Buddhist and Vedic Traditions. I: A Comparison of General Changes. e-Cam 2006; 3(4) 513-521

KRISTELLER J. L.; HALLETT, C. B. (1999). An Exploratory Study of a Meditation-based intervention for Binge Eating Disorder. Journal of Health Psychology, No 4: 357

MARS, T. S.; ABBEY, H. (2010). Mindfulness Meditation Practice as a Healthcare Intervention: a Sistematic Review. International Journal of Osteopathic Medicine, No 13:56-66

OSIS, K.; BOKERT, E.; CARLSON, M. L.(1973). Dimensions of the Meditative Experience. Journal of Transpersonal Psychology, No 5(2): 109-135

REAVLEY, N.; Pallant, J. F. (2009). Development of a Scale to Asses Meditation Experience. Personality and Individual Differences, 47: 547-552

RUBIA, K. (2009). The Neurobiology of Meditation an its Clinical effectiveness in Psychiatric Disorders. Biological Psychology, 82: 1-11

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Psicologia Transpessoal e Imaginação Ativa

A Psicologia Transpessoal é uma nova força da Psicologia, tendo seu início consolidado no final da década de 1960 por Abraham Maslow, James Fadiman, Antony Sutich, entre outros. Ela se apóia no aspecto saudável do Ser Humano e busca resgatar valores e crenças que auxiliem o indivíduo a encontrar seu equilíbrio natural.
Maslow


Depois da corrente Humanista de Psicologia, a Abordagem Transpessoal tem um conceito de Ser Humano amplo, como um ser que possui dimensões físicas, sociais, emocionais, racionais e espirituais. Trabalha com um novo conceito de consciência, amparada nas novas descobertas das neurociências, reconhecendo que transitamos por diversos estados de consciência ao longo do dia e da vida.

Mudando o foco, novas percepções aparecem.
Estados de consciência podem ser compreendidos como um conjunto de funções fisiológicas, emocionais e mentais que alteram nossa percepção da realidade, dando um "colorido" diferente ao que vivemos. Por exemplo, quando estamos bêbados ou quando estamos muito felizes, nossa percepção do que acontece muda radicalmente - estas mudanças de interpretação são fontes de diversos conflitos emocionais.



Reconhecendo a importância da dimensão espiritual, a Psicologia Transpessoal também trabalha a busca de sentido e significado, fortalecendo a motivação de viver e de estabelecer novos valores.

Uma técnica utilizada pela Abordagem Transpessoal para trabalhar os conteúdos psíquicos-emocionais é a Imaginação Ativa. Esta é uma técnica criada pelo psicólogo Carl Jung, que tem como finalidade trabalhar conteúdos psíquicos pouco conscientes ou totalmente inconscientes. Através de diversas técnicas lúdicas, como desenhar, dançar, imaginar e mesmo escrever, é possível trabalharmos questões emocionais profundas e chegarmos a um bom entendimento de processos internos. Todas as terapias que utilizam técnicas artísticas podem ser reconhecidas como tendo suas raízes no trabalho de Jung.

No livro de Chodorow (1997), é feita uma coletânea dos escritos de Jung, com trechos onde ele cita e exemplifica o uso e as técnicas de Imaginação Ativa. É interessante notar que antes de chegar ao termo definitivo, Jung utilizou diversos nomes como: função transcendente, fantasia ativa, técnica de diferenciação, exercício de introspecção, entre outros. Podemos perceber ao longo da leitura deste livro, que o método de Jung é "baseado na função curativa natural da imaginação".

Para a Abordagem Transpessoal, a técnica de Jung é uma excelente ferramenta, por auxiliar no processo de mundaça de ponto de vista e no tornar consciente aspectos psicológicos e emocionais que estavam indisponíveis no nível racional. Ao se utilizar a Imaginação Ativa, é possível acessar o inconsciente, resgatando uma visão ampla da questão e possibilitando uma visão equilibrada, fazendo nascer um novo conceito e uma nova leitura dos problemas e da própria vida.


Referências:

Chodorow, Joan. (1997). Jung on Active Imagination. Princeton University Press, New Jersey.

Maslow, A. (1968/1999). Toward a Psichology of Being. Ed. John Wiley & Sons.

Maslow, A. (1969). The Farther Reaches of Human Nature. The Journal of Transpersonal Psychology, spring 1969. 


Saldanha, Vera. (2008). Psicologia Transpessoal: Abordagem Integrativa – um conhecimento emergente em psicologia da consciência. Ijuí, RS: Ed. Unijuí.

Sutich, A. (1969a). Some Considerations Regarding Transpersonal Psychology. The Journal of Transpersonal Psychology, spring 1969.

Sutich, A. (1969b). The American Transpersonal Association. The Journal of Transpersonal Psychology, fall 1969.

Tabone, Márcia. (2005). A Psicologia Transpessoal. São Paulo: Ed. Cultrix.