quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Uma Reflexão sobre a Realidade

 
O mundo de hoje encontra‐se em grande desequilíbrio – nossa vida e estrutura social encontram-se ameaçadas em todas as áreas e de diversas formas: desde questões climáticas, passando por tragédias sociais até crises econômicas  e  governamentais.
Como chegamos a este estado de coisas ? 
Bom,  esta  é  uma  pergunta  que  exige  um  longo,  profundo  e  multidiscipljnar  olhar.  Diria  mesmo  que  precisamos  de  uma  abordagem  transdisciplinar:  um  olhar  que  não  apenas  reúna  diversas  especialidades,  mas  que  as  una  e  transcenda, trazendo novas formas de pensar, de agir e de ver o mundo.
Ver o mundo… 
Nossa  forma  de  pensar  a  realidade  é  algo  com a qual  em  raros  momentos  nos  importamos,  mas  numa  análise  mais  cuidadosa,  se  mostra  como  a  fonte  de  diversas "confusões" em nossas vidas e em nossa sociedade. 


O  que  é  a  Realidade  ?  Um  pensamento  crescente  de  que  aquilo  que  acreditamos se torna real  está  se  difundindo  pela  sociedade, há já algum tempo.  Mas  como  saber  no  que  acreditamos  ? Infelizmente,  as  coisas  não  são  tão  simples  como  gostariam  os  produtores  do  filme  “O  Segredo”.  Reconhecer  nossas  crenças  é  um  trabalho  árduo,  que  dura,  em  geral,  toda  uma  vida  –  é  uma  jornada.  E  nesta  jornada,  cada  passo  é dado com cuidado, e/mas principalmente com a consciência de que muitas vezes nos enroscamos,  e  para  continuarmos  a  andar,  precisamos  abrir  mão  de  velhos  hábitos,  velhas  formas  de  pensar  e  de  olhar  para  o  mundo.
A Realidade é uma percepção.
Quando falamos de Realidade temos que dar uma olhada não só naquilo em que acreditamos, mas também naquilo que nossa cultutra nos diz sobre esta Realidade. E uma boa fonte para isso, é buscar na literatura e no meio científico. Fazendo isso, descobrimos que também a Ciência evolui como nós: sempre  acreditando  que  existe  algo  mais  para  ser  apreendido, compreendido, verificado. A  boa  Ciência sempre está consciente de que suas teorias são visões que explicam parte da realidade,  e não a Realidade como um todo; e que toda teoria só é válida até o momento em que algo fugir a sua predição ‐ a partir  daí,  é necessário que se desenvolva outra teoria, que inclua e explique o fenômeno  observado.
Existem hoje fortes evidências de que  uma  nova  teoria  para  abordar  a Realidade  se  faz necessária  e  está  surgindo, pois existe toda uma classe de eventos que nossos modelos científicos  atuais não explicam. Ai encontramos os diversos casos como: telepatia, clarividência,  clariaudiência, consciência extra‐corpórea, experiência  de quasemorte, curas espontâneas, experiências místicas, os gênios, etc…
São inúmeros os casos contundentes que ficam sem a devida explicação.  (Ver Kelly et al, na lista de livros do blog)

“Olhe ao seu redor por um instante e veja, ouça, cheire e sinta onde você está. […] Sua consciência pode partilhar de tudo isto num único instante, mas você jamais conseguirá descrever tal experiência. Não são apenas as experiências místicas [que são indescritíveis]; qualquer experiência é indescritível.”   
 Capra, F. (1988) Sabedoria Incomum. p. 111
Também temos que citar toda a classe de eventos sócio‐culturais e ambientais  pelos  quais  passamos atualmente e que estão gerando uma  forte movimentação em todas as áreas de  atividade humanas. A  interferência do homem no equilíbrio do planeta já não pode mais ser negada e as consequências desta atividade podem ser sentidas por todas as classes sociais em todas as partes do mundo. Talvez, o que falte seja uma nova perspectiva, um novo olhar para as informações que já possuimos, mas que insistimos em encaixar em antigos moldes.
Vamos rever o conhecimento advindo da Física Quântica e suas implicações nas outras ciências, vamos buscar o conhecimento adquirido e desenvolvido pelos pensadores inspirados dos anos 60  e 70, que foram o berço de inúmeras teorias que hoje começam  a ser  postas em prática aqui e ali. Não podemos nos esquecer das fontes da Filosofia,  pois sem ela ficamos à mercê de qualquer  um que  nos  pareça culto.  Informação é um valor incalculável e  insubstituível.  Não é à toa que governos manipulam  a  informação; já sabemos disto.
Precisamos nos permitir voar, mantendo os pés no chão e dar espaço a uma lógica que ainda estamos em busca. Atentos aos passos já  dados, vamos explorar  um  novo  raciocínio,  que  no  final  das  contas,  talvez  não  seja  tão  novo assim.
Refletir sobre a Realidade é refletir sobre nossa vida, sobre quais são nossas crenças e como elas estão conectadas com nossa cultura.
Este texto pretende inspirar uma reflexão sobre como um conhecimento médio das evoluções científicas,  junto com uma razoável análise filosófica das suas implicações, torna acessível ao público leigo uma boa base de informações para mudar conceitos, idéias e formas de agir que são destrutivos tanto no âmbito pessoal como no âmbito social.


 
Aquilo que acreditamos se torna real. 
Este é um conceito muito citado, mas em geral não é levado muito à sério, sendo relegado ao que muitas vezes é pejorativamente chamado de “adeptos da auto-ajuda". Apesar de ser verdade que muita coisa ruim é escrita nesta categoria, acredito que a maior parte da rejeição a este pensamento se dê  por  falta de  um conhecimento  mais profundo  sobre  as  novas teorias formuladas por diversos pensadores e cientistas proeminentes desde a década de  70,  baseados nas descobertas provenientes  da  Física feitas no início do século passado,  e  que abalaram  os  alicerces  do mundo  científico,  pois pediram  uma  mudança  na  forma  como vemos  a Realidade.
Parece  que  até  hoje  estas informações  não  foram  bem  transmitidas  ao  público em geral, gerando  um  número enorme  de  especulações  sem  o  devido  embasamento. Apesar de hoje encontrarmos vários  grupos  de  estudiosos e diversas pessoas  engajadas num  movimento de transformação cultural, ainda sofremos as consequências de uma maioria de pessoas que pensam e veêm o mundo baseados em conceitos ultrapassados.
A  revisão  de  valores  socio‐culturais  e  concepções  de  mundo  é  de  crucial importância  para  uma  melhora  na  qualidade  de  vida  de  todo  o  planeta.  É  preciso trazer  para  o  nosso  cotidiano  uma  prática  de  questionamento  que  nos  mantenha atentos  às  forças  internas  que  nos  movem  e  que  regem  nossas  escolhas. É necessário transformar  a  consciência  do  que  nos  é  importante  na  vida  em  um  pensamento  que permeie todas as nossas atitudes. É  claro  que  esta  forma  de  ver  e  viver  no  mundo  passa  por  uma  jornada intelectual  e  espiritual,  que  para  muitos  pode  parecer  exagerada,  mas  acredito  que existam  inúmeras  formas  de  tornar  isso  uma  agradável  experiência  para  todos  que se  dispuserem  a  tentar. A premissa básica é rever nossos conceitos  sem julgá‐los em certo ou errado, bom ou mau – simplesmente, tomar consciência de nossas crenças e ver  o quanto elas nos são  úteis. Se elas trazem alegria e bem‐estar, tudo  certo; se trazem desconforto e desarmonia, vamos buscar uma nova crença que traga esta harmonia e bem‐estar de volta.
Isto  pode  soar  muito  esotérico  para  alguns,  mas  na  verdade  é  um  exercício mental  bastante  instigante  e  tudo  o  que  é  preciso  é  um  espírito  inquisidor.  É  claro que  esta  auto‐consciência  passa  por  todos  os  aspectos  do  ser  humano  –  sua  vida social  e  intelectual,  suas  atividades  físicas  e  espirituais  –  mas  não  queremos  aqui  dar preferência  a  um  deles,  pois  isto  seria  mais  uma  vez  eleger  um  dos  aspectos humanos  como  o  único  que  importa,  e  aí  cairíamos  no  mesmo  erro  de  antes.  Pois  o que  temos  hoje  é  um  desequilíbrio  destes  aspectos  humanos,  onde  a  Razão  foi  eleita a  senhora  absoluta  e  toda  a  subjetividade,  que  dá  riqueza  as  experiências  humanas, foi negada e  excluída dos processos de desenvolvimento tecnológico  e  social  da humanidade, transformando os seres humanos em objetos manipuláveis. 
A  idéia de  integração é o objetivo  final, sabendo‐se  desde já que uma alternância  dinâmica  entre  os  aspectos humanos é vista como indício  de  saúde,  pois tudo  o  que  é  rígido  um  dia  se  parte,  como  o  crença  ferrenha  de  que  somos  máquinas dotadas  de  partes  que  funcionam  isoladamente.  Este  movimento  dinâmico  entre  os aspectos  humanos  é  o  que  possibilita  uma  evolução  sadia  e  é  a  base  da  própria característica  social  da  humanidade:  por  termos  habilidades  particulares,  cada indivíduo  se  torna  importante  para  o  todo,  havendo  espaço  para  cada  um  expressar o que tem de melhor. 
Uma  sociedade  que  fomente  o  melhor  em  cada  um,  que  dê  espaço  para  a revisão  de  valores  e  apóie  as  crises  necessárias  a  todo  crescimento  –  esta  é  a  utopia em  questão.  Mas  como  cantou  John  Lennon,  acredito  que  outros  já  partilharam  deste sonho. 

You may say I’m a dreamer 
But I’m not the only one. 
I hope some day you’ll join us  
And the world will be as One.

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário