sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Espiritualidade e Saúde



Desde
 tempos
 remotos,
 o
 cuidado
 com
 a
 saúde
 esteve
 ligado
 com
 a
 dimensão
 espiritual
 e
 religiosa
 do
 ser
 humano:
 curandeiros,
 xamãs,
 pajés,
 sacerdotes,
 sacerdotisas,
 padres
 e
 freiras
 eram
 também
 os
 responsáveis
 pela
 saúde
 física
 dos
 integrantes
 de 
suas 
comunidades. 
Cuidar
 da 
saúde 
era 
cuidar 
da 
espiritualidade.

Durante
 séculos
 as
 intituições
 religiosas
 cuidaram
 e
 controlaram
 a
 saúde
 e
 os
 cuidados
 médicos,
 e
 até
 mesmo
 as
 licensas
 para
 executar
 a
 medicina
 eram
 dadas
 pela
 igreja,
 na
 Idade
 Média.
 Os
 primeiros
 hospitais
 foram
 criados
 por
 intituições
 religiosas
 e
 até
 meados
 do
 século
 XVIII
 ainda
 era
 assim
 –
 mesmo
 hoje
 encontramos
 diversos
 hospitais
 ligados
 a
 entidades
 religiosas
 (Hospital
 João
 Evangelista,
 por
 exemplo).

Por
 muitos
 anos
 acreditou‐se
 que
 as
 doenças
 físicas
 e
 mentais
 eram
 causadas
 por
 possessões
 demoníacas
 ou
 outras
 forças
 espirituais,
 e
 por
 isso
 tinham
 que
 ser
 tratadas
 no
 âmbito
 religioso/espiritual.
 O
 ápice
 desta
 crença
 se
 deu
 em
 1487
 com
 o
 Maleus
 Maleficarum,
 que
 condenou
 as
 bruxas
 à
 fogueira
 –
 muitas
 das
 quais
 eram
 doentes
 mentais
 que
 necessitavam
 de
 cuidados
 apropriados.
 Este
 movimento
 ficou
 conhecido
 como
 “Inquisição”
 e
 durou
 cerca
 de
 200
 anos,
 e
 todos
 sabemos
 das

atrocidades
 cometidas
 pela falta
 de
 conhecimento
 mais 
esclarecido.

Nos
 últimos
 500
 anos
 observamos
 um
 declínio
 do
 poder
 da
 igreja
 e
 um
 avanço
 da
 medicina
 científica,
 permitindo
 que
 esta
 se
 libertasse
 do
 controle
 religioso.
 A
 separação
 entre
 religião
 e
 medicina
 só
 aumentou
 desde
 então;
 no
 entanto,
 nos
 últimos 
anos, temos
 observado 
um
 renovado 
interesse
 pelas 
técnicas 
tradicionais de
 medicina
 e
 mesmo
 um
 crescente
 interesse
 sobre
 o
 quanto
 a
 religião
 e
 a
 espiritualidade 
influenciam 
na
 saúde.
 
Um
 número
 grande de
 pesquisas
 científicas
 robustas
 e
 bem
 desenvolvidas
 apontam
 a
 importância
 da

dimensão
 espiritual
 e
 religiosa
 do
 ser
 humano,
 e
 como
 ela 
afeta 
a 
saúde
 de 
forma
 relevante.
 A
 primeira
 razão
 para
 tal
 ressurgimento
 se
 deve
 ao
 fato
 da
 religião
 e
 da
 espiritualidade
 serem consideradas 
um
 importante 
aspecto
 da
 vida 
pela
 maioria
 das
 pessoas
 ‐
 no
 Brasil
 87%
 das
 pessoas
 acreditam
 em
 Deus
 e
 consideram
 a
 religiosidade/espiritualidade
 um dos aspectos
 fundamentais
 da
 vida.
 Apesar
 de ter
 sido
 visto
 como
 doentio
 por
 indivíduos
 consagrados
 como
 Freud
, e
 esta
 visão
 ter
 contaminado
 boa
 parte
 do
 mundo
 acadêmico,
 o
 que
 se
 observa
 atualmente
 é
 uma
 renovação
 do
 olhar
 para
 esta 
dimensão 
tão 
importante
 do 
ser
 humano.

Uma
 nova
 abordagem
 está
 sendo
 delineada
 por
 estudiosos,
 procurando
 definir
 conceitualmente
 o
 que

seria
 a
 dimensão
 espiritual
 do
 ser
 humano,
 e
 o
 que
 encontramos 
são
 as 
seguintes
 definições:


Religiosidade


Religião
 envolve
 crenças
 específicas
 sobre
 a
 vida,
 a
 vida
 após
 a

morte
 e
 regras
 que
 orientam
 o
 comportamento
 dentro
 de
 um
 grupo
 social.
 É
 organizada
 e
 praticada
 dentro
 de
 uma
 comunidade,
 mas
 também
 pode
 ser
 praticada
 em
 privacidade,
 sozinho,
 fora
 de
 uma
 instituição.
 O
 ponto
 central
 da
 definição
 é
 que
 a
 religião
 tem
 suas
 raízes
 em
 tradições
 estabelecidas
 que
 surgem
 de
 um
 grupo
 de
 pessoas
 com
 crenças
 e 
práticas 
em
 comum 
em 
relação 
ao 
transcendente.






Espiritualidade



Tornou‐se
 uma
 expressão
 popular,
 preferida
 à
 religião.

Atualmente,
 espiritualidade
 é
 considerada
 pessoal,
 algo
 que
 cada
 um
 define
 pessoalmente.
 Geralmente
 é
 livre
 de
 regras, 
dogmas 
e 
das 
responsabilidades 
associadas 
`a 
religião 
‐ 
uma
 pessoa 
pode
 ser espiritualizada,
 mas
 não
 religiosa.
 Na
 verdade,
 uma
 ‘espiritualidade
 secular’
 é
 geralmente
 enfatizada
 hoje
 em
 dia
, nos
 círculos
 onde
 a
 religião
 não
 é
 bem
 vinda.
 Assim,
 espiritualidade 
é
 vista
 como 
pertencente 
a
 todos,
 religiosos 
e
 secularistas.



Muitas
 dessas
 crenças
 em
 religião
 e
 espiritualidade
 tem
 um
 forte
 impacto
 na
 saúde,
 pois 
dizem
 respeito 
a 
práticas 
e 
comportamentos
 alimentares, 
sociais 
e 
pessoais.
 Uma
 das
 razões
 para
 a
 retomada
 de
 interesse
 no
 aspecto
 espiritual
 é
 o
 crescente
 descontentamento
 do
 público
 com
 os
 serviços
 médicos,
 que
 se
 tornaram
 extremamante
 impessoais,
 focados
 apenas
 no
 dinheiro,
 e
 com
 inúmeras
 explicações
  duvidosas
 sobre 
as
 causas 
das
 doenças 
–
 quando 
estas
 existem.

Boa
 parte
 deste
 descontentamento
 também
 pode
 ser
 endereçado
 a
 uma
 revisão
 geral
 na
 visão
 de
 mundo
 de
 muitas
 pessoas
 –
 como
 se
 diz
 no
 meio
 acadêmico:
 estamos
 numa
 grande
 virada
 de
 paradigma
 (conceitos).
 Assim,
 perguntas
 milenares
 como
 ‘qual
 o
 sentido
 da
 vida?’,
 ‘quem
 sou’,
 ‘o
 que
 é
 a
 realidade?’
 estão
 mais
 uma
 vez
 motivando 
as 
pessoas 
a 
reverem 
crenças 
sobre 
valores 
profundos 
de 
vida.
 
Num 
próximo
 texto, 
comentarei
 sobre 
este 
novo
 paradigma.

Para
 maiores
 informações
 sobre
 o
 tema
 espiritualidade
 e
 saúde,
 acesse
 a
 biblioteca
 virtual 
HOJE, 
no 
link 
do 
blog.


Abraços,

Katya


Referência:


Koenig,
 McCullough
 &
 Larson.
 (2001). Handbook
 of
 Religion
 and
 Health.
 Oxford
 Press.


Um comentário:

  1. Muito bem escrito,
    sucinto, sintético, porém objetivo.
    beijos
    Flávia

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